
O fenômeno é conhecido de qualquer um que já tenha um certo tempo como colaborador na Casa Espírita.
O indivíduo chega à Casa em busca de ajuda por se sentir impotente diante dos problemas que a vida lhe apresenta. Após o encaminhamento, se dispõe ao tratamento indicado e passa a frequentar assiduamente as preleções e os passes. Aos poucos se tranquiliza , e perseverando nas novas ideias que aprende acerca da Doutrina Espírita, consegue o equilíbrio almejado. Com o tempo, o problema se resolve, e o indivíduo, pronto para se assoberbar novamente com os problemas do mundo, se afasta da Casa e após algum tempo raramente se lembra do período que nela passou.
O amigo Gilson Lopes, de São Paulo, uma vez contou uma passagem deste teor em que o indivíduo em questão retornava à Casa sempre que um problema lhe afligia. Atendido em sua emergência, encontrava forças para seguir em frente e uma vez satisfeito com o curso de sua vida, sumia da Casa. Vez após vez a história era a mesma. Em uma dessas oportunidades, um dos amigos da Casa perguntou pelo “fujão”, a quem se habituara a ver na Casa. Informado de mais um afastamento, comentou: “é, ainda não está doendo o suficiente.”
O que deveria ficar claro para aqueles que assim agem, é que a Doutrina Espírita não deveria ser vista como tratamento paliativo: não é remédio para dor de cabeça, que age sobre o sintoma mas não trata a causa dessa dor.
A Doutrina é, sim, um chamado à reforma íntima. E reforma íntima é renovação interior, profunda, e contínua.
Essa renovação deve ser profunda porque os ensinamentos nos conclamam a olhar para além dos problemas que inicialmente visualizamos. Estes são apenas os efeitos de nossa conduta (presente ou passada). Apenas uma autocrítica sincera e rigorosa de nossa conduta e de nossa natureza interior vai apontar os verdadeiros problemas a resolver; problemas esses que geram todos os efeitos negativos em nossa vida. A seriedade dessa análise é muito grande, e exige que obtenhamos novas ferramentas de conhecimento para podermos compreender adequadamente nossos problemas e com eles lidar de forma responsável e eficaz. O estudo, nesse caso, se faz necessário, e como o conhecimento necessário é vasto, não dá para achar que assistir algumas preleções ou ler alguns trechos de O Evangelho Segundo o Espiritismo vá ser suficiente.
Essa renovação deve ser contínua porque a resolução de nossos problemas íntimos é um processo longo, que exige paciência e perseverança. Construímos dentro de nós verdadeiras montanhas ao longo dos séculos, e o que temos são nossas próprias mãos para transformar essas montanhas, que hoje são montanhas de problemas em montanhas de virtudes. O tempo está a nosso favor quando decidimos nos dedicar à tarefa: séculos são necessários, e séculos temos na esteira das reencarnações renovadoras. Mas o trabalho deve ser contínuo e a dedicação, perene.
O que não é útil é tomar a Doutrina por pílula de bem-estar, buscando-a apenas quando as dificuldades da vida baterem à nossa porta. Agir assim é retardar o passo de nossa própria marcha evolutiva. E outra: alertar amigos e parentes que assim agem, é exercício de caridade.

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